Currículos de ciências: histórias, concepções e opções.

Título
Currículos de ciências: histórias, concepções e opções.
Autor
Claudia Christina Bravo e Sa Carneiro
Orientação
Meirecele Caliope Leitinho
Instituição
UFC
Grau de Titulação
Doutorado
Unidade / Setor
Faculdade de Educação
Ano
1998
Cidade / UF
Fortaleza/CE
Dependência Administrativa:
Federal
Resumo
Analisa os fundamentos dos currículos de ciências do ensino fundamental do Estado do Ceará e município de Fortaleza, procurando elementos que os condicionaram dentro de uma perspectiva histórico-crítica, pretendendo identificá-los dentro das diversas tendências pedagógicas do ideário nacional e internacional, além de analisar tais currículos nos seus níveis prescritivos (o que foi prescrito como desejado pelas organizações normativas); operacional (que consiste no que realmente ocorre em sala de aula); perceptivo (concernente ao que o professor diz que está fazendo e o porque de sua ação); e o experienciado (que consta do que os alunos percebem ou como reagem ao que é oferecido em sala de aula). Como foco complementar, o trabalho tem como pretensão examinar a existência de precondições que permitam detectar a presença de elementos demonstrativos de um ensino/aprendizagem de ciências envolvendo uma livre e cooperativa troca de idéias. É proposta a seguinte tese: os currículos de ciências do ensino fundamental, de primeira a quarta séries do Estado do Ceará e do Município de Fortaleza, não acompanham o ritmo do desenvolvimento científico e tecnológico da atualidade, apresentando uma dissociação da concepção e execução, evidenciando, no entanto, algumas situações de ensino/aprendizagem em moldes cooperativos. O referencial teórico/metodológico utilizado neste trabalho relaciona-se à Teoria Crítica dos currículos. Como o desenvolvimento curricular na área de ciências está marcado pelo construtivismo e, mais recentemente, a literatura tem sido permeada por tendências que envolvem fatores sociais e culturais no processo de desenvolvimento humano, foram incluídas as ideias do co-construtivismo e outros estudos relacionados às situações de como a instrução em ciências se desenvolve cooperativamente, competitivamente ou individualmente. A metodologia escolhida foi a abordagem qualitativa do tipo estudo de caso etnográfico, ou seja, aplicada à pesquisa do tipo etnográfica, ao estudo de três situações que constituem o cotidiano das aulas de ciências de três escolas da zona urbana de Fortaleza (duas da rede oficial, sendo uma estadual e outra municipal e uma da rede privada). Ao longo do trabalho, a busca à literatura de fatos relacionados ao desenvolvimento do ensino de ciências no Brasil, as teorias pedagógicas e curriculares e as novas pesquisas que têm permeado a área de educação de ciências, foi um modo de unir teoria e prática num movimento dialético, e não apenas uma condição prévia. No tipo de pesquisa utilizada, discussões e questionamentos permanentes do referencial teórico acontecem normalmente. Como instrumentos de pesquisa, foram escolhidos observação participante; entrevistas informais com alunos, professoras, diretoras e supervisoras; entrevistas formais (mais semi-estruturadas) com professoras; questionamentos com alunos (para traçar seus perfis sócio-econômicos). Foi utilizado, também, um depoimento dos alunos, em forma de redação, dizendo suas impressões sobre as aulas de ciências (currículo experienciado) e a análise de documentos, com regimentos, planos de aulas, projetos pedagógicos, avaliações, exercícios etc. As observações foram sistemáticas e intensivas, e os registros feitos de forma cursiva. A trajetória histórica realizada na primeira parte do trabalho, que teve como objetivo um estudo exploratório sobre o ensino de ciências no Brasil, ajudou a fundamentar sobre os obstáculos que o colocaram na situação em que se encontra na atualidade. Por outro lado, as discussões sobre ciência, tecnologia e ensino de ciências serviram para esclarecer certos determinantes associados ao desenvolvimento do ensino de ciências no Brasil após a Segunda Grande Guerra Mundial, marco importante na evolução de tal ensino. A incursão das escolas deu-se concomitante ao estudo teórico realizado. A análise das propostas curriculares no nível prescritivo ocorreu de forma integrada com os outros três níveis, operacional, perceptivo e experienciado. O estudo possibilitou instruir que existem fatores históricos, políticos, econômicos e sociais que determinam o atual estágio do ensino de ciências no Brasil. Por outro lado, salvo algumas particularidades, os currículos de ciências pesquisados em seus vários níveis ainda não alcançaram os padrões necessários para o desenvolvimento de uma pedagogia crítica, de caráter emancipatório, que valoriza as relações sociais, a cooperação, o espírito critico e proporciona aos cidadãos o compromisso de uma ciência a favor do crescimento social. A pesquisa possibilitou, também, perceber claramente a distorção entre o professorado e a realidade, a ação. A sala de aula, as rotinas apontam indicadores que dificultam a atualização do ensino de ciências, com ênfase ao empirismo, grande apego ao livro-texto, escrúpulo das professoras às mudanças, falta de instrumentos operativos, conteúdos abordados superficialmente, e ênfase nas atividades individuais.
Palavras Chave
currículo de ciências, ensino de ciências.

Classificações

Nível escolar
1ª a 4ª Série do EF
Área do conteudo
Geral
Foco Temático
Currículos e Programas